Suécia: Communism & Revolution 2025 – “Um mundo em chamas. Um mundo em crise. Um mundo em revolta”.

Estamos no dia 28 de novembro, uma tarde de sexta-feira. A sede do Partido Comunista Revolucionário (PCR) em Estocolmo está super movimentada. Pilhas de caixas de livros estão organizadas em filas, que são organizadamente coletadas pelos camaradas da célula universitária do PCR de Estocolmo, utilizando dois carrinhos para a tarefa. Em outras salas, pessoas estão ensaiando suas contribuições para a discussão do fim de semana, alguns preparando artigos – visitantes de outras cidades estão conhecendo o local.

Do lado de fora, um carro está pronto para partir. Livros, panfletos, jornais, máquinas de café, batatas fritas e muito, muito mais está a caminho do ‘Communism & Revolution 2025’, que começará naquela noite. Portas estão se abrindo e fechando por toda parte. O ar está carregado tanto de perguntas quanto de risadas. Alguns estão tentando comer alguma coisa antes que tudo comece. As conversas são marcadas por uma expectativa nervosa.

“Com mais de 150 participantes registrados, ‘Communism & Revolution 2025’ é o nosso maior evento até hoje”, Leo Marklund exclamou algumas horas depois da primeira sessão começar, o que foi recebido por aplausos estrondosos.

“Excelente! Excelente! Excelente!”

Fredrik Albin Svensson abre a primeira sessão com um tema que estará presente em todo o fim de semana: “A agonia do capitalismo e as perspectivas para uma revolução mundial”. Ele insiste:

“Pensem no que as pessoas ao redor do mundo veem no noticiário todas as manhãs."

"Imagens apocalípticas que lhes chegam do Sudão, de Gaza, da Ucrânia; guerras comerciais entre as superpotências do mundo; cenas constantes, também apocalípticas, de enchentes, incêndios e assim por diante; pobreza, infraestrutura em ruínas, incitação contra vários grupos oprimidos, discursos belicistas e muito mais. Há uma sensação geral de desintegração na sociedade.”

Ele enfatiza que todos os grupos sociais sentem que algo deve ser feito – incluindo os capitalistas, a classe dominante. Todos concordam que os políticos não fazem nada. Mas o ponto é que o que a classe dominante precisa é diametralmente oposto ao que a classe trabalhadora precisa. Ele continua:

“A classe dominante não consegue governar como antes e acaba entrando em crise. As massas não conseguem viver como antes e se mobilizam para lutar. Aqui você encontra as condições típicas para a revolução.”

Depois do intervalo, mesas e mais mesas são preenchidas com literatura comunista revolucionária, assim como camisas, canetas, geleias, bilhetes de rifas – todos os tipos de produtos atrativos feitos pelos camaradas para alavancar o caixa do partido. Na fila, um camarada novo que estava presente no evento pela primeira vez compartilhou conosco suas primeiras impressões:

“Excelente! Excelente! Excelente! Acabo de escrever isso repetidamente para a minha irmã durante a apresentação.”

Todos olhavam curiosos ao redor, planejando suas compras. No final da primeira sessão de sábado, a pessoa responsável pela banca de livros subiu ao palco com uma pilha de livros tão alta que quase tombou.

“Isso é o que eu comprei!” disse ela com um sorriso brilhante, sendo recebida com calor e aplausos animados. “Como é possível escolher apenas um, se há tantas leituras importantes?”

Benjamin Roobol presidiu a sessão, suas primeiras palavras soaram como um poema, mas resumiram a situação perfeitamente:

“Um mundo em chamas. Um mundo em crise. Um mundo em revolta. O velho mundo está morrendo, e um novo está nascendo. Estamos aqui para ajudá-lo a avançar. Para compreender o mundo e transformá-lo.”

Uma luta para derrubar o domínio deles

A sessão na manhã de sábado focou na crise da democracia burguesa. Em sua apresentação, Niklas Albin Svensson, do Secretariado Internacional da Internacional Comunista Revolucionária, enfatizou que a democracia sempre mascara o domínio de uma classe, desde a democracia dos proprietários de escravos na Grécia Antiga até a democracia burguesa de hoje.

Ele explicou que grande parte dos direitos democráticos que temos hoje foram conquistados graças às reverberações da Revolução Russa de 1917 e da ascensão revolucionária que se seguiu na Europa. Para manter seu poder, a burguesia teve de fazer concessões aos líderes do movimento operário. O boom da economia do pós-guerra e as concessões para a classe trabalhadora foi o que permitiu isso. Ele continua:

“Mas hoje já não é mais o caso. O capitalismo não pode oferecer o que os trabalhadores estão exigindo. Por isso os trabalhadores estão se afastando dos políticos que são vistos como representantes do sistema.

“Isso é uma parte inevitável da crise do capitalismo. E nós não lutamos para sustentar as velhas formas da burguesia, mas para derrubar o seu domínio.”

“Uma grande vitória”

Às 16h, todos se reuniram para o lançamento de um livro. Após muito trabalho árduo, o partido conseguiu publicar em sueco o primeiro volume da biografia, que o coveiro da Revolução Russa, Joseph Stalin, tentou a todo custo apagar: Stalin de Leon Trotsky.

Escrito no final da década de 1930, Trotsky, a essa altura, já havia dirigido a tomada do poder na Revolução de Outubro de 1917, o Exército Vermelho na guerra civil, a luta contra a burocracia na União Soviética, da qual Stalin era a figura central, e muito mais. Ao expor sistematicamente as absurdas lendas heroicas que haviam sido inventadas para engrandecer Stalin, ele também usou o livro como uma forma de transmitir suas quatro décadas de experiência a uma nova geração, como parte da luta pelo verdadeiro comunismo.

Porém, em agosto de 1940, Trotsky foi assassinado por um agente de Stalin, no México, deixando uma boa parte da biografia inacabada. Stalin conduziu uma campanha histórica sem precedentes de perseguição e assassinato.

Durante o lançamento do livro, foram lidas as últimas linhas do testamento de Trotsky em alto e bom tom, deixando lágrimas nos olhos de muitos camaradas:

“Natasha acabou de chegar pelo pátio até a janela e a abriu completamente para que o ar possa entrar mais livremente em meu quarto. Posso ver a larga faixa verde de grama sob o muro, sobre ele o céu azul claro acima do muro e a luz do sol por toda parte. A vida é bela, que as gerações futuras a purifiquem de todo mal, de toda opressão, de toda violência e a desfrutem plenamente.”

Depois da morte de Trotsky, os manuscritos de Stalin foram distorcidos a ponto de se tornarem irreconhecíveis pela editora burguesa e pelos tradutores por ela designados. Explicando o significado da finalização e publicação de Stalin pela ICR, o orador explica:

“É por isso que é uma enorme vitória para todo o movimento comunista internacional que nossa Internacional tenha conseguido completar o livro o mais integralmente possível em 2016.”

Quase dez anos depois, Stalin de Trotsky está disponível para o público sueco.

Todos quiseram ter este livro em suas mãos, a fila chegava perto de 10 metros durante o intervalo de 10 minutos. Um total de 65 cópias foram vendidas em todo o fim de semana.

Com um senso de história no ar seguindo essa discussão, começou a coleta financeira do fim de semana. Durante três meses, as células do PCR em todo o país trabalharam intensamente para arrecadar dinheiro para o partido, com uma meta ambiciosa de 400.000 coroas suecas (aproximadamente £31.800).

Oscar Gunnarsson iniciou a coleta financeira demolindo a dita “esquerda”, que respondeu à crise do capitalismo simplesmente desistindo de tentar mudar a sociedade por completo:

“Eles dizem: ‘não tente mudar a sociedade, já tentaram antes e não funcionou, você vai entender quando ficar mais velho.’”

“Oh bem, então nós simplesmente devemos aceitar esse mundo com o genocídio na Palestina, guerras e fome, 345 milhões de pessoas ao redor do mundo estão em situação de subnutrição aguda, temos pobreza e pessoas sem-teto até mesmo em países ricos como a Suécia, mas, sim, não vale a pena tentar fazer nada a respeito, esta é a sociedade com a qual precisamos conviver...”

Esse tipo de indivíduo sem esperança, ele explica, nunca vai entender por que uma pessoa deve fazer sacrifícios por um bem maior. Da nossa parte, estamos orgulhosos de pedir dinheiro às pessoas para a causa comunista.

“É uma prova do nosso otimismo revolucionário e da nossa determinação — de que somos completamente diferentes de todos os outros da esquerda e de que estamos falando sério.”

A coleta foi nossa oportunidade para provar isso. E foi exatamente o que entregamos! Arrecadamos 465.000 coroas suecas (aproximadamente £37.000).

Socialismo ou barbárie

Communism & Revolution 2025 teve mais sessões este ano do que no ano anterior. Na tarde de sábado, os participantes puderam escolher entre três diferentes sessões: o imperialismo sueco; a União Soviética; e as causas da crise econômica atual. Este foi o mesmo caso da manhã e tarde de domingo.

Todos os participantes pareciam concordar sobre esta restrição física: 

“Eu queria poder participar de várias sessões ao mesmo tempo!”

Felizmente, as apresentações que introduziram as discussões estão disponíveis tanto no YouTube quanto no podcast do PCR.

Uma das sessões tratou do mito da Suécia “socialista”, tendo como pano de fundo as grandes melhorias para os trabalhadores no período do pós-guerra. A indústria sueca emergiu ilesa da Segunda Guerra Mundial graças à capitulação do governo sueco ante a Alemanha Nazista. A Europa bombardeada presenteou companhias suecas com grandes oportunidades. Na Suécia, a colaboração foi formada entre os dirigentes do movimento trabalhista e grandes corporações que pouco tinham a ver com o socialismo.

Jennifer Österman, que fez a apresentação, tomou como exemplo um edifício que recentemente esteve em destaque:

“Entre 1955 e 1964, foram realizadas as Cúpulas de Harpsund [cidade onde ficava a residência de campo do Primeiro-Ministro da Suécia], onde representantes do governo, dos sindicatos, dos bancos e das grandes empresas se reuniam.”

“A maior parte dos trabalhadores talvez não gostasse disso, mas podiam aceitar estas circunstâncias porque a vida estava melhorando.”

Ela explicou que a consciência política formada por aquele período contrasta fortemente com as conclusões que as pessoas tiram hoje. O que Rosa Luxemburgo disse tem se tornado óbvio para mais e mais pessoas:

“A sociedade burguesa está diante de uma encruzilhada: ou a transição para o socialismo, ou a regressão à barbárie.”

Mais tarde naquele dia, no mesmo salão, Esaias Yavari falou sobre a necessidade de um programa revolucionário na luta contra o racismo. A conclusão foi construída em temas na sessão prévia:

“Nós precisamos de um partido que possa agir como um catalisador para o processo revolucionário.”

Às 15h30min da tarde de domingo, todos os participantes se reuniram para o encerramento. Fisicamente, as pessoas estavam cansadas depois de dois dias de discussões intensas, mas as conversas não perderam sua intensidade. Todos queriam aproveitar ao máximo cada minuto.

Ylva Vinberg fez o discurso de encerramento. Ela falou sobre o heroísmo e a força que as pessoas, de país em país, têm demonstrado em movimentos revolucionários nos últimos anos. Ela falou sobre as revoluções da Geração Z, mas também como a falta de partidos revolucionários permite que a classe dominante manobre repetidas vezes para se manter no poder:

“Nós estamos criando nossa Internacional para colocar um fim aos sacrifícios sem vitórias.”

“Estamos fazendo isso pela enfermeira Hanadi, pelos homens em Irun, pelas crianças em Gaza e na Cisjordânia, por todas as vítimas de Epstein e de seus semelhantes, por aqueles que morreram no ataque terrorista em Örebro, pelas mães famintas que pulam refeições para que seus filhos possam comer o suficiente, por todos aqueles que morrem em acidentes de trabalho ou em corredores de hospitais por causa de cortes de pessoal. 

Ela concluiu com uma promessa:

“Nós fazemos isso porque outro mundo é possível: uma sociedade socialista, um mundo socialista, construído sob diferentes relações econômicas, uma moralidade diferente, uma cultura diferente. E nós prometemos que vamos estar aqui até o fim, até a vitória.”

Em seguida, uma ovação de pé. Todo o salão se juntou para cantar a Internacional. E assim “Communism & Revolution” chegou ao fim.

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