Rebelião MAGA sobre o caso Epstein força Trump a mudar de posição Share TweetJeffrey Epstein pode estar morto, mas continua a assombrar Donald Trump, ameaçando dividir o movimento MAGA — e possivelmente toda a classe dominante.[Publicado originalmente em Communistusa.org]O escândalo em torno do pedófilo mais famoso do mundo completou um ciclo. Primeiro, Trump acenou com a divulgação dos arquivos de Epstein como um sinal de sua disposição de enfrentar o "pântano" corrupto de Washington, DC. Depois, numa reviravolta de 180 graus, Trump descartou tudo, chamando-os de "farsa dos Democratas". Agora, o clamor pela divulgação dos arquivos se voltou contra o próprio Trump, tornando-se a maior fissura no campo do movimento MAGA até o momento.Do escândalo ao motimEm fevereiro, a Procuradora-Geral Pam Bondi afirmou que a lista de clientes de Epstein, repleta de pedófilos ricos e poderosos, estava em sua mesa. A base de apoio de Trump se mobilizou, enquanto Democratas e veículos de mídia liberais debochavam de mais uma "teoria da conspiração" do movimento MAGA. Em julho, Bondi negou que a lista sequer existisse. O Departamento de Justiça (DOJ) e o FBI divulgaram uma declaração conjunta alegando que sua "revisão sistemática" dos arquivos de Epstein "não revelou nenhuma 'lista de clientes' incriminatória".Segundo Bondi e seus aliados, manter os arquivos ocultos do público não era uma tentativa de encobrir os crimes de pedófilos ricos e influentes. Servia apenas para proteger as vítimas. Alegaram ainda que não havia evidências que sugerissem que Epstein foi assassinado em sua cela para silenciá-lo. O caso estava encerrado — ou pelo menos era o que esperavam.Milhões de americanos desconfiaram. Uma semana depois, os representantes Thomas Massie e Ro Khanna apresentaram o Epstein Files Transparency Act, que ordenaria ao Departamento de Justiça divulgar todos os arquivos relacionados a Epstein.Eles também divulgaram uma petição de desobstrução, uma manobra parlamentar para forçar uma votação sobre o projeto de lei contra a vontade da direção da Câmara. Trump alertou os Republicanos de que assinar a petição seria "um ato muito hostil". Seu lacaio, o presidente da Câmara, Mike Johnson, fez esforços hercúleos para impedir a votação, incluindo antecipar o recesso parlamentar e se recusar a empossar a congressista do Arizona, Adelita Grijalva — que planejava assinar a petição — por quase dois meses após sua vitória na eleição suplementar.Mas a pressão aumentou depois que o Wall Street Journal publicou o obsceno cartão de aniversário de Trump para Epstein em 2003. Em uma semana, funcionários do Departamento de Justiça estavam tendo reuniões a portas fechadas com a cúmplice de Epstein e traficante sexual de menores condenada, Ghislaine Maxwell. Após essas negociações, Maxwell foi transferida para uma prisão de segurança mínima. Segundo relatos, ela agora recebe tratamento "preferencial", com um alto funcionário da prisão dizendo que está "cansado de ter que ser o capacho de Maxwell".Questionado, Trump disse que não descartaria um indulto ou comutação de sua pena. Convenientemente, o Departamento de Justiça divulgou transcrições de sua investigação, nas quais Maxwell afirmou que "nunca testemunhou nada de impróprio na amizade de Donald Trump com Epstein".Em 12 de novembro, os Democratas do Comitê de Supervisão da Câmara divulgaram três e-mails de Epstein afirmando que Trump "sabia sobre as meninas". A secretária de imprensa Karoline Leavitt defendeu Trump, dizendo que os e-mails "não provam absolutamente nada, além do fato de que o presidente Trump não fez nada de errado". Em resposta aos e-mails, os Republicanos da Câmara divulgaram uma série de mais de 20.000 páginas de documentos relacionados a Epstein.Isso jogou gasolina na fogueira do caso Epstein. Apesar da forte pressão de Trump, três republicanos, além de Massie, ainda apoiavam publicamente a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein: Lauren Boebert, Nancy Mace e Marjorie Taylor Greene. Trump, Bondi e o diretor do FBI, Kash Patel, levaram Boebert à Sala de Situação para "discutir" o assunto, mas ela se manteve firme. O presidente retirou seu apoio a Greene, chamando-a de "maluca" e de "Marjorie Traidora Greene".Mike Johnson finalmente empossou Grijalva. Ela forneceu a assinatura final na petição de desobstrução para forçar uma votação. Trump cedeu. Sabendo que o projeto de lei seria aprovado — e que qualquer um que votasse contra se arrependeria nas eleições de meio de mandato de 2026 — ele instou os Republicanos da Câmara a votarem sim e prometeu sancioná-lo.A Câmara aprovou o projeto de lei com apenas um voto contrário. O Senado o aprovou por unanimidade, e agora ele está na mesa de Trump. Pam Bondi disse que o Departamento de Justiça divulgaria os arquivos em 30 dias. Quando questionada em uma coletiva de imprensa sobre o que havia mudado desde o anúncio do Departamento de Justiça de que não havia mais nada a divulgar, ela respondeu de forma titubeante: "Informações que surgiram, informações, hum, há informações que, novas informações, informações adicionais."Fissuras no MAGAAs fissuras no MAGA nunca foram tão grandes.Marjorie Taylor Greene já foi uma das apoiadoras mais fervorosas de Trump. Mas ela rompeu com ele em relação aos planos de saúde e, agora, em relação aos arquivos de Epstein. Ela apelou diretamente à base do MAGA, dizendo que os arquivos representam “as falhas do governo federal e do Congresso para com o povo americano… é por isso que eles não confiam no Congresso. É por isso que eles não confiam no governo”. Greene consegue perceber para onde o vento está soprando. Se o MAGA se voltar contra Trump, ela está tentando conquistar alguma influência entre uma parcela de sua base fragmentada.O próprio Trump cedeu. Quando um repórter apontou que Trump poderia divulgar os arquivos sem o Congresso, ele respondeu rispidamente: “Quieto. Silêncio, porquinho”. Na última semana, ele atacou furiosamente vários repórteres que fizeram perguntas sobre Epstein. Sentado no Salão Oval ao lado do príncipe herdeiro saudita, acusado de assassinar jornalistas, ele disse a um correspondente da ABC News: "Você é um péssimo repórter e uma pessoa péssima".E no domingo, quando um repórter tocou no incontornável assunto, Trump respondeu: "Bem, eu não quero falar sobre isso porque veículos de notícias falsas como o seu — você é um repórter péssimo — veículos de notícias falsas como o seu continuam trazendo isso à tona para desviar a atenção do tremendo êxito do governo Trump".A taxa de aprovação de Trump está agora em apenas 38%, a mais baixa desde o início de seu mandato. Ele está em queda livre devido à economia, ao custo de vida e à imigração. A continuação da guerra na Ucrânia, o bombardeio do Irã e as execuções extrajudiciais em alto-mar também contribuíram para essa queda.Mas seu pior problema é Epstein. As pesquisas mostram que 59% dos americanos desaprovam sua atuação no caso, enquanto apenas 20% a aprovam. Em seu próprio partido, 60% acreditam que Trump está escondendo a lista de clientes. E quase unanimemente, 92% dos americanos "acreditam que os arquivos provavelmente contêm informações comprometedoras sobre pessoas ricas ou poderosas".Os arquivos de Epstein são uma Caixa de Pandora que ameaça toda a classe dominante. Steve Bannon e Larry Summers já foram expostos, e o ex-membro da família real britânica, Andrew Mountbatten-Windsor, perdeu seu título de príncipe. Não se sabe quem será o próximo. Embora a mera menção do nome de alguém não implique automaticamente em culpa, outros nomes que foram ligados ao bilionário pedófilo incluem Bill Clinton, Bill Gates, RFK Jr. e Ehud Barak.Trump está à mercê de sua base eleitoral. Ele já está preocupado com que a divulgação dos arquivos não seja suficiente para acalmá-los, desde que muitos deles já perderam a confiança no Departamento de Justiça, no FBI e nas forças policiais federais em geral.Enquanto isso, os democratas, enfrentando índices de aprovação historicamente baixos, agarraram-se cinicamente aos arquivos de Epstein na esperança de reforçar seu apoio popular. Eles podem se arrepender disso. Epstein era um doador do Partido Democrata, e democratas mais proeminentes certamente serão implicados se os arquivos forem totalmente divulgados. Por exemplo, documentos mostram que Epstein deu feedback ao vivo e direcionou perguntas para Stacey Plaskett, delegada democrata das Ilhas Virgens Americanas, durante uma audiência no Congresso em 2019.A Casa Branca ainda tem algumas cartas na manga. O Departamento de Justiça poderia se recusar a divulgar os arquivos sob a alegação de que está conduzindo uma investigação sobre democratas de renome, como Bill Clinton. Ou poderia divulgar os arquivos, mas ocultar todos os nomes republicanos — o que, segundo o irmão de Epstein, Mark, eles já estão planejando fazer.Independentemente do que aconteça, o escândalo Epstein é mais um prego no caixão do MAGA. Em uma época de crise capitalista mundial, essa coalizão eleitoral interclasses não durará para sempre. Os problemas comuns a todos os trabalhadores acabarão por levar a explosões generalizadas da luta de classes, que irão subverter a política americana.