Mali sob cerco

Durante dois meses, o grupo islâmico Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM) manteve um bloqueio de combustíveis em torno da capital do Mali, Bamako. Apesar das tentativas do exército maliano de garantir as rotas de abastecimento, os ataques islamistas a caminhões-tanque que transportavam petróleo do Senegal e da Costa do Marfim (oficialmente Côte d'Ivoire) interromperam grande parte do fornecimento de combustível para Bamako e outras cidades importantes no sul do país.

Como resultado, as escolas em Bamako ficaram fechadas por duas semanas a partir de 27 de outubro, e as empresas foram obrigadas a fechar devido à falta de combustível para os geradores de eletricidade. Os moradores são forçados a esperar dias para comprar combustível a preços exorbitantes. A falta de combustível também começou a afetar os militares, reduzindo significativamente sua capacidade de realizar operações à longa distância.

Esta é, sem dúvida, a crise mais grave enfrentada pelo governo militar do Mali, que tomou o poder e saiu decisivamente da órbita do imperialismo ocidental em 2021. Seu destino poderá ser decidido nas próximas semanas. Qualquer vitória dos islamistas terá consequências reacionárias para toda a região.

Terrorismo islâmico

O Mali tem sido afetado pela insurgência islâmica desde 2012, após a intervenção do imperialismo ocidental na Guerra Civil Líbia. A queda de Gaddafi em 2011 resultou no fluxo de armas e combatentes para o Mali, onde a luta separatista do povo tuaregue foi oportunisticamente sequestrada por islamistas afiliados à Al-Qaeda.

A França interveio diretamente em 2013, introduzindo uma força de mais de 5.000 soldados. Em 2020, um total combinado de 20.000 soldados franceses e da ONU estavam estacionados no Mali. No entanto, apesar disso, grupos islâmicos ligados tanto à Al-Qaeda quanto ao Estado Islâmico conseguiram expandir sua influência das regiões mais remotas do norte do Mali para cobrir até 70% do país.

Eles também começaram a tomar o controle de territórios em Burkina Faso e Níger, deixando um rastro de massacres, saques e sequestros. Mulheres em aldeias tomadas pelo JNIM e outros grupos foram forçadas a casamentos arranjados ou simplesmente tomadas como escravas sexuais. Até o momento, 30.000 pessoas foram mortas e cerca de quatro milhões foram deslocadas em toda a região como resultado dessa insurgência.

Ruptura com o Ocidente

O completo fracasso do Estado maliano e de seus apoiadores imperialistas em conter a onda de ataques islamistas contribuiu para o acúmulo de intensa raiva entre os cidadãos comuns do Mali. Essa raiva explodiu após o governo corrupto e "democrático" de Ibrahim Boubacar Keïta tentar um golpe constitucional na primavera de 2020.

Após meses de protestos em massa, Keïta foi deposto pelos militares em agosto de 2020, os quais, então, estabeleceram um governo de transição. Mas apenas nove meses depois, esse governo foi derrubado por outro golpe, liderado pelo Coronel Assimi Goïta.

O golpe de Goïta foi comemorado não apenas dentro do exército, mas também nas ruas pelo movimento de protesto M5, que desempenhou um papel fundamental na queda de Keïta em 2020. Isso ocorreu porque o governo de transição permaneceu alinhado com a mesma elite nacional e potências estrangeiras que Keïta, o que significava que não estava disposto nem era capaz de atender às demandas da população.

A França suspendeu toda a cooperação militar com o Mali, embora mantivesse tropas no país. Além disso, o Mali foi suspenso do bloco regional da África Ocidental, a CEDEAO, e sanções econômicas foram impostas ao país.

Em vez de recuar, Goïta se entrincheirou, insistindo na retirada completa das forças francesas do país o mais rápido possível. Em seguida, visitou Moscou e convidou mercenários do Grupo Wagner para auxiliar as Forças Armadas do Mali no combate aos islamistas. No final de 2021, as tropas do Grupo Wagner começaram a chegar.

A combinação de uma grave crise, de pressão ocidental e de ofertas alternativas de potências rivais levou o regime golpista a promover uma ruptura radical com o passado. E, uma vez concretizada essa ruptura, o próprio “modelo” do Mali tornou-se um pólo de atração.

Um processo semelhante ocorreu em Burkina Faso, em 2022, e no Níger, em 2023, culminando na criação da Aliança dos Estados do Sahel (Alliance des États du Sahel, ou AES) pelas três nações, em setembro de 2023.

Virada anti-imperialista

Ao chegarem ao poder, os governos militares que compõem a AES prometeram soberania nacional genuína e desenvolvimento econômico para abordar as crises enfrentadas pelas massas, bem como a derrota militar dos islamistas. Essas promessas foram recebidas com enorme apoio popular, não apenas em seus próprios países, mas em muitas partes da África.

Essa guinada anti-imperialista envolveu o aumento da pressão sobre as multinacionais estrangeiras. Os três estados aprovaram novos códigos de mineração, que obrigam todas as empresas mineradoras estrangeiras a pagar royalties mais altos, sob pena de perderem suas licenças.

Quando a multinacional canadense Barrick Gold (a maior mineradora de ouro do mundo) se recusou a pagar as novas taxas, o governo de Goïta apreendeu três toneladas de ouro da mina Loulo-Gounkoto da empresa; o Estado bloqueou todas as exportações de ouro da mina; e vários funcionários da Barrick foram detidos. Agora, as operações diárias da mina foram assumidas pelo Estado, enquanto as negociações estão em andamento.

A luta de qualquer nação oprimida para se libertar do domínio imperialista deve ser bem-vinda e apoiada pela classe trabalhadora de todos os países, e sobretudo pelos trabalhadores do Ocidente. Mas também é necessário lembrar que todos esses regimes permaneceram firmemente baseados no sistema capitalista, ainda que com uma maior intervenção estatal.

Ao contrário dos regimes anti-imperialistas do pós-guerra, seu modelo tem sido o dos regimes burgueses-bonapartistas da Rússia e da China de hoje, não o da URSS ou de Cuba. E precisamente porque a luta do Mali contra o imperialismo é liderada por uma ditadura burguesa-bonapartista, com os trabalhadores e camponeses malianos firmemente afastados do poder, isso impõe sérios limites ao que pode ser alcançado. E esses limites já foram alcançados.

Barbárie capitalista

A verdade é que, apesar do aumento dos gastos militares e do controle total do Estado pelas forças armadas, o governo de Goïta não conseguiu derrotar os islamistas. E esse fracasso era inevitável devido à lógica fria e implacável do capitalismo na região.

Muito antes do golpe de 2021, o JNIM explorou habilmente a fragilidade do Estado, que se consolidou nos alicerces do Mali moderno, baseado na chamada “independência”. Nas regiões mais remotas do país, o Estado é praticamente inexistente. Assim, os islamistas conseguiram intervir como mediadores em disputas por terras e gado, oferecendo “proteção” ao estilo da máfia.

Por esses meios, os islamistas conseguiram ocupar as regiões fronteiriças entre o Mali e seus vizinhos, financiando-se por meio da cobrança de impostos em vilarejos, por meio do tráfico de drogas, do roubo de gado e da exploração de minas locais. Isso não seria possível sem o mercado capitalista mundial, tanto em suas formas “legítimas” quanto “ilegítimas”.

O comércio de gado representa uma parte significativa da economia em países como Gana e Costa do Marfim. Os capitalistas agrícolas nesses países obtêm lucros consideráveis ​​com a venda de gado roubado do Mali e de Burkina Faso. Isso permite que os grupos rebeldes "lavem" seus ganhos ilícitos.

Da mesma forma, a crescente demanda por ouro tornou o contrabando de ouro de minas controladas pelos rebeldes particularmente lucrativo. Todo o dinheiro obtido por meio dessas atividades permite a compra de armas e suprimentos, incluindo drones comerciais que eles conseguiram adaptar para uso militar.

Acima de tudo, o maior trunfo para os islamistas é a pobreza das massas rurais nesses países. Jovens se alistam voluntariamente para lutar pelo JNIM ou para trabalhar em uma de suas minas porque é um emprego. Como disse um combatente no Níger em entrevista à revista The Economist: "Tudo o que você quiser, os chefes te darão... dinheiro, mulheres, carne e uma moto."

É simplesmente impossível eliminar esses males apenas por meios militares. Somente o desenvolvimento planejado da economia e da infraestrutura em escala regional poderia fortalecer o Estado, cortar o acesso dos islamistas a financiamento e combatentes e começar a reverter a situação.

Mas isso é impossível sobre uma base capitalista. A classe capitalista local praticamente não possui capital e, portanto, é totalmente dependente do imperialismo estrangeiro, que não tem interesse em ajudar as nações africanas a saírem de seu estado de dependência.

Isolamento

O Mali e a AES também foram amplamente abandonados pelos corruptos estados burgueses da região. Em nome da restauração de um “regime democrático” totalmente fictício nesses países, a CEDEAO impôs duras sanções econômicas e até ameaçou com intervenção militar no Níger para promover uma mudança de regime.

Eventualmente, foram forçados a se retirar, mas é evidente que vários estados da África Ocidental estão colaborando com seus aliados ocidentais próximos para isolar e enfraquecer o Mali e a AES.




Mesmo após a saída da AES da CEDEAO, a cooperação ainda era possível em diversas áreas, mas não se concretizou. Isso foi reconhecido em um comentário revelador do coronel aposentado ganês Festus Aboagye, quando afirmou:

“Alguns estados-membros da CEDEAO se aliam a parceiros externos para tentar derrubar esses regimes. A abordagem de Gana é proteger os interesses nacionais.”

O regime de Ouattara na Costa do Marfim, que continua sendo um aliado fundamental do imperialismo francês na região, deixou bem claro que não aprova a aproximação do Mali com a Rússia. Portanto, em vez de enviar assistência militar para proteger os comboios que entram no Mali vindos de seu território, a classe dominante marfinense está tranquilamente abandonando o Mali à sua própria sorte, presumivelmente na esperança de que o isolamento do país leve à queda de Goïta e à sua substituição por alguém que "ouça a razão".

Essa política apenas encorajou o JNIM, como evidenciado pelos sinais de que está se posicionando para se tornar o próximo Hay'at Tahrir al-Sham (HTS), o grupo islâmico que derrubou o regime de Assad na Síria. Recentemente, removeu qualquer referência à Al-Qaeda de seu logotipo, e um de seus líderes, Amadou Koufa, recusou-se a responder a qualquer pergunta sobre Gaza em uma entrevista neste ano. Evidentemente, ele espera que, com uma barba aparada e um terno novo, possa ser recebido na respeitável companhia da ONU como um jihadista que se tornou estadista, como Al-Sharaa, da Síria.

Na prática, o Ocidente e seus aliados estão deliberadamente empurrando o Mali e a África Oriental e Austral à beira do colapso, a fim de proteger suas esferas de influência e dar às massas africanas uma dura lição de que "não há alternativa". Para os imperialistas, trata-se de "governar ou se arruinar". Mas a colaboração de estados africanos vizinhos com a desestabilização de sua própria região apenas evidencia o caráter totalmente reacionário e míope das classes dominantes africanas.

Apoio russo

O Mali recorreu à Rússia em busca de apoio militar e investimentos porque esta parecia oferecer uma alternativa à humilhação e à interferência que sempre acompanhavam a “ajuda” e a “cooperação” ocidentais. Mas a Rússia não conseguiu preencher a lacuna deixada pela retirada das forças francesas e da ONU.

Os mercenários do Grupo Wagner se retiraram recentemente em meio à grande polêmica, tendo matado mais civis do que combatentes islâmicos. Isso se deve, em parte, às derrotas militares nas quais os mercenários sofreram pesadas baixas, exacerbando as tensões com as forças malianas. Mas, principalmente, o rompimento da relação entre o Grupo Wagner e o Estado maliano também reflete um conflito latente sobre os direitos de mineração.

Onde quer que o Grupo Wagner tenha intervido na África, adquiriu ativos econômicos, como direitos de mineração ou exploração madeireira. No entanto, no Mali, o governo nacionalista bloqueou repetidamente as tentativas do Grupo Wagner de se estabelecer no lucrativo setor de mineração de ouro. Evidentemente, os mercenários russos decidiram que não valia a pena o esforço, anunciaram “missão cumprida” e partiram.

O Afrika Korps da Rússia manteve cerca de 1.000 soldados no país, mas estes estão focados principalmente em treinamento e apoio logístico. Considerando que o JNIM conseguiu intensificar o bloqueio nas últimas semanas, é evidente que esse nível de apoio militar será insuficiente para reverter a situação.

A Rússia anunciou que prestará auxílio a Bamako, tendo assinado um acordo para entregar até 200.000 toneladas de petróleo e produtos agrícolas em 27 de outubro. No entanto, até o momento, não há evidências confiáveis ​​de que sequer a primeira remessa dessas entregas tenha chegado ao Mali, e o tempo está se esgotando.

Ponto de virada

A situação é crítica. É improvável que o JNIM consiga tomar Bamako e governar o país neste momento. No entanto, é provável que, caso o bloqueio continue, a pressão e a consequente desmoralização possam levar a um novo golpe de Estado e a um governo aberto a negociações, nos termos dos islâmicos.

Desde 2021, a maioria da população do Mali continua a apoiar o regime, apesar da crise que assola o país, porque ele oferece a esperança de libertar o país do atraso e da opressão. Mas, eventualmente, chegará o momento em que não acreditarão mais na capacidade do governo de ter êxito.

Além disso, há indícios de fissuras surgindo dentro das forças armadas. Uma onda de prisões ocorreu para fortalecer a facção leal a Goïta.

Mesmo que Goïta permaneça no poder, isso não resolve nada. O JNIM tem o Estado sob seu controle e o está sufocando lenta, mas seguramente. Eventualmente, o próprio Goïta teria que negociar, e essas negociações seriam nos termos dos islâmicos.

Qualquer acordo com o JNIM também resultaria necessariamente na manutenção do controle sobre a maior parte, senão de todo o território que conquistou até agora. As áreas controladas pelos rebeldes já funcionam como um Estado paralelo em grande parte do interior, cobrando o zakat (imposto) e aplicando a lei da sharia. Mulheres que viajam para fora de Bamako devem usar véu no transporte público ou enfrentar punição com chicotadas. Uma das exigências do JNIM é a imposição da lei da sharia em todo o país.

Até agora, o governo se recusou a negociar com os islâmicos em nível nacional, mas no mês passado autorizou as comunidades locais a negociarem com o JNIM, provavelmente refletindo a perda de controle do Estado nessas áreas.

Se a ajuda russa prometida chegar, isso representará uma tábua de salvação para o Estado, mas por si só não reverterá a situação nas zonas rurais. Além disso, a Rússia espera um retorno sobre o investimento, o que significa maior acesso aos recursos do Mali em condições mais favoráveis ​​do que as oferecidas anteriormente.

É preciso afirmar categoricamente que, sem uma mudança drástica na situação, o regime de Goïta no Mali está fadado à derrota. E essa derrota será sentida em toda a região.

Consequências reacionárias

A queda do governo Goïta, ou qualquer acordo firmado entre o Mali e o JNIM, teria implicações reacionárias imediatas nos países vizinhos, Burkina Faso e Níger. Representaria, na prática, a saída do Mali da Aliança dos Estados do Sahel, formada principalmente para derrotar grupos como o JNIM.

Pior ainda, liberado do combate com o exército maliano, o JNIM poderia exercer ainda mais pressão sobre a capital de Bukinabe, Ouagadougou, que também corre o risco de ser cercada.

Não surpreendentemente, a mídia ocidental está adotando um tom triunfalista. Presumivelmente, esperam um "retorno à normalidade" depois que esses estados recalcitrantes aprenderem uma lição, assim como qualquer outro que tenha grandes ideias sobre "soberania". Não demorará muito para que sua arrogância e estupidez sejam expostas.

O Mali está localizado no coração da África Ocidental. Faz fronteira com sete países. O estabelecimento de um Estado islâmico, seja de facto ou de jure, no Mali teria um efeito enormemente desestabilizador em toda a África Ocidental e além.

Em primeiro lugar, qualquer vitória dos islâmicos abrirá caminho para mais instabilidade e violência no Mali. Várias vezes no passado, grupos afiliados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico entraram em confronto por território e pilhagem. Sem pressão constante por parte das forças armadas malianas, esse conflito ressurgirá em uma escala ainda maior.

O próprio JNIM não é um exército centralizado, mas sim uma coalizão frouxa de grupos armados, frequentemente baseados em diferentes grupos étnicos. Os dois grupos mais importantes são o Ansar Dine e a Frente de Libertação de Macina, dominados por tuaregues e fulanis, respectivamente.

Além disso, milícias armadas locais provavelmente continuariam a resistir aos islâmicos, levando a uma escalada da violência entre diferentes grupos étnicos. Fulanis já são alvos de perseguição sob suspeita de serem islâmicos. Da mesma forma, nacionalistas tuaregues seculares já entraram em confronto com os islâmicos e provavelmente se inclinariam para a separação do resto do Mali.

Em resumo, a vitória dos islâmicos seria um prelúdio para o desmembramento do país, o que provavelmente envolveria os países vizinhos, que buscam consolidar seus interesses ao longo da fronteira – assim como ocorreu na Síria após a queda de Assad.

Para além das fronteiras do Mali, o estabelecimento de uma base islâmica sólida no país implicará inevitavelmente em mais ataques nos estados costeiros da África Ocidental. Em abril de 2025, por exemplo, 54 soldados foram mortos pelo JNIM no Benim. Ainda mais notáveis ​​foram os relatos de que, em 28 de outubro, o JNIM reivindicou seu primeiro ataque em solo nigeriano, perto da fronteira com o Benim.

Esses países podem não ser tão pobres ou isolados quanto o Mali, mas continuam vulneráveis, e a população de suas áreas remotas não pode esperar nada além de insegurança e horror enquanto esse sistema capitalista doentio sobreviver.

O que fazer?

Precisamos fazer uma análise sóbria. A solução para esta crise não se encontra apenas no Mali, nem mesmo na AES. Na verdade, não se encontra em nenhuma nação isoladamente.

A classe trabalhadora é a única força capaz de ajudar o povo do Mali a sair deste pesadelo. A tomada do poder pelas massas trabalhadoras nos países costeiros mais desenvolvidos, particularmente na Costa do Marfim, em Gana ou na Nigéria, poderia transformar drasticamente a situação.

A curto prazo, um Estado operário da África Ocidental romperia imediatamente o isolamento do Sahel e lutaria ao lado das forças malianas para garantir rotas de abastecimento essenciais. Mais fundamentalmente, a expropriação da classe capitalista local corrupta cortaria o fluxo financeiro vital dos islâmicos, abrindo caminho para o desenvolvimento democrático e planejado da economia.

A resposta de milhões à linguagem revolucionária do líder burquinense, Ibrahim Traoré, e a onda de levantes que vimos recentemente, demonstram o enorme potencial revolucionário existente em toda a África. A vitória dos trabalhadores e camponeses em um país desencadearia uma onda revolucionária que ameaçaria derrubar o capitalismo em toda a região.

Somente com base nisso, não apenas na cooperação militar, mas na integração e no desenvolvimento planejado da região sob uma Federação Socialista da África Ocidental, o flagelo do terrorismo islâmico poderá finalmente ser extinto e a vida das massas desses países poderá ser transformada radicalmente.

Mas há outro elemento que precisa ser destacado. As potências imperialistas continuam a acumular o capital e a tecnologia necessários para o rápido desenvolvimento dos países ex-coloniais. A experiência do Mali e de muitos outros países mostra que os imperialistas oferecem ajuda e investimento apenas para benefício próprio. A economia deve ser colocada nas mãos dos trabalhadores desses países para abrir caminho para uma verdadeira cooperação internacional.

Na Europa, a classe dominante enfrenta sua crise mais profunda de todos os tempos. A poderosa classe trabalhadora começa a se mobilizar. O potencial para se juntar às revoluções africana e europeia nunca foi tão grande.

Mas o que é necessário para tudo isso é um partido revolucionário capaz de conduzir os trabalhadores à vitória. Isso faltou no Mali. Faltou no Sudão em 2019. E o resultado foi a barbárie.

Em grande parte do Sahel, as condições atuais tornam extremamente difícil a construção de um partido socialista, embora haja marxistas que se empenhem bravamente nesse sentido.

No resto do mundo, devemos chegar à seguinte conclusão: a continuidade do capitalismo está preparando uma catástrofe para toda a humanidade. Somente a construção de partidos revolucionários fortes da classe trabalhadora, que tenham absorvido as lições do passado, pode oferecer uma alternativa rumo a um futuro socialista. Podemos vencer essa luta, mas a crise no Sahel demonstra o que está em jogo.

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