Escola Marxista de Nova York 2025: treinando bolcheviques na capital do capitalismo Share TweetAlguns dias após um autoproclamado socialista democrático vencer a eleição para prefeito de Nova York, mais de 300 comunistas cantaram uma versão vibrante de “A Internacional” no encerramento da terceira e última edição da série de Escolas Marxistas dos RCA de 2025.[Publicado originalmente em Communistusa.org]A Escola Marxista de Nova York, realizada nos dias 8 e 9 de novembro, deu continuidade ao êxito dos eventos anteriores em Los Angeles, nos dias 11 e 12 de outubro, e em Chicago, nos dias 25 e 26 de outubro. No total, quase 700 comunistas participaram de uma Escola Marxista dos RCA neste outono.Estiveram presentes no event0 em Nova Iorque camaradas da própria cidade; Filadélfia; Boston; Atlanta; Washington, D.C.; Baltimore; Pittsburgh; Dallas-Fort Worth; Chicago; Los Angeles; Cleveland; the Bay Area; Seattle; Nova Orleães; Albany; Denver; Portland, Maine; Providence, Rhode Island; Richmond, Virgínia; Blacksburg, Virgínia; Nova Jersey; Carolina do Norte; Carolina do Sul; Virgínia Ocidental; e Connecticut. A eles se juntaram delegações internacionais da Grã-Bretanha, Grécia, Canadá e Porto Rico.Os RCA reforçou suas fileiras durante nossa campanha de recrutamento de outono. Agora, a tarefa é formar esses novos recrutas como quadros bolcheviques.Nunca houve época melhor para ser comunista na América. Zohran Mamdani venceu em vários distritos que votaram em Trump há um ano, confirmando a perspectiva marxista de que a classe trabalhadora não se deslocou fundamentalmente para a direita. Pelo contrário, os trabalhadores estão se voltando contra todos os partidos e políticos do establishment.Este é apenas o início da intensificação da polarização e radicalização de classe. Construir o tipo de partido que a classe trabalhadora precisa leva tempo e exige determinação revolucionária para superar todos os obstáculos. Acima de tudo, exige camaradas dedicados que dominem o método marxista e possam aplicá-lo à luta de classes.Declínio do imperialismo americanoNa sexta-feira à noite, os camaradas se reuniram para uma pré-estreia do novo documentário da ICR: Os Comunistas Estão Chegando!, que deu o tom entusiasta para o fim de semana.O auditório estava lotado logo cedo na manhã seguinte, quando o curso começou com uma discussão sobre o declínio relativo do imperialismo americano e a ascensão da China.Ao longo do último quarto de século, a China se desenvolveu e se tornou uma superpotência rivalizando com os EUA. No ano 2000, a China produzia apenas 3,6% do PIB mundial. Hoje, essa cifra é de 18%, e a China responde por 28% da produção industrial mundial. Antes conhecida por produzir bens de consumo baratos e de baixa qualidade, a China agora lidera o mundo em setores de alta tecnologia como inteligência artificial, robótica e energia renovável.A classe dominante chinesa está transformando seu poder econômico em poder político e militar. O imperialismo americano se vê envolvido em uma luta cada vez mais acirrada pela hegemonia mundial. No entanto, essa fase final de um mundo “unipolar” não trará um período de paz. Em vez disso, entramos numa era de guerras inter-imperialistas por procuração, combinadas à crescente luta de classes e revolução — como as recentes explosões sociais na Indonésia, Nepal, Madagascar e outros países.Reformismo versus revoluçãoNo sábado à noite, um camarada da seção grega da ICR falou sobre as intensas lutas de classes na Grécia há uma década e sobre as traições do reformismo. Em resposta à austeridade imposta pela “troika” europeia após a crise financeira de 2008, a classe trabalhadora grega foi às ruas, ocupou locais de trabalho e impulsionou o Syriza, um partido de esquerda até então obscuro, ao poder.Em vez de levar essa militância e determinação à sua conclusão lógica, expropriando os capitalistas na Grécia e apelando à solidariedade revolucionária do restante da classe trabalhadora europeia, os líderes reformistas do Syriza frearam ativamente as massas. Chegaram ao poder surfando uma onda de oposição à troika, mas acabaram impondo a austeridade apesar da esmagadora rejeição no referendo popular de 2015.A sociedade grega ainda não se recuperou da crise. Mas, após um período de desmoralização na sequência da traição do Syriza, os trabalhadores e a juventude gregos estão agora começando a se mobilizar novamente.A escola encerrou com uma discussão sobre a crise do capitalismo americano e para onde o país está caminhando, introduzida por Antonio Balmer, editor-chefe do jornal The Communist. Trump prometeu aos seus eleitores maiores salários e um futuro brilhante. Mas pouco pode fazer além de tentar administrar o declínio do imperialismo americano.Todas as fontes de descontentamento que o levaram de volta ao poder só se intensificaram. Sua base de apoiadores no MAGA está começando a se fragmentar e muitos deles buscarão alternativas políticas. Isso só se acelerará à medida que a situação econômica continuar a piorar. Embora o desacreditado Partido Democrata possa obter vitórias de curto prazo em novembro, um vasto vácuo político permanece, aguardando para ser preenchido por uma força revolucionária capaz de apresentar políticas de classe consistentes.Sede de ideias marxistasAlém das três plenárias, houve nove sessões paralelas que abordaram uma variedade de tópicos: materialismo dialético, o período da Reconstrução após a Guerra Civil Americana, o stalinismo e suas mentiras sobre Lenin e Trotsky, o comunismo de esquerda de Lenin, a Revolução Espanhola de 1936-39, lições do movimento contra a Guerra do Vietnã, o boom econômico do pós-guerra, a Revolução Chinesa de 1925-27 e como os bolcheviques chegaram ao poder.O nível político das propostas, contribuições e perguntas levantadas durante as discussões foi mais alto do que nunca — prova incontestável de que os esforços contínuos da RCA para elevar nosso nível político coletivo estão dando frutos. A sede de ideias marxistas ficou evidente pelos resultados de nossa banca de livros, que vendeu quase US$ 11.000 em literatura marxista em apenas dois dias!Embora um partido seja, antes de tudo, seu programa, método e ideias, ele não é nada sem uma sólida estrutura organizacional. Isso exige uma abordagem séria em relação às finanças do partido. Um apelo financeiro empolgante arrancou aplausos entusiasmados e arrecadou quase US$ 6.000 em doações e na venda de rifas. Ao longo do fim de semana, pelo menos quatro participantes se associaram à RCA, e mais um se inscreveu para apoiar o partido com uma doação mensal.Em suas considerações finais, o editor-chefe do The Communist, John Peterson, fundamentou a camaradagem e o aprendizado do fim de semana com perspectivas, reflexões e conselhos para o aprimoramento como marxistas, aplicando o conceito dialético japonês de kaizen. A primeira Escola Marxista de Nova York foi realizada em 2007. Então, apenas doze camaradas de todo o nordeste dos Estados Unidos enfrentaram uma nevasca para se encontrarem no porão de um prédio de apartamentos no Bronx. Após 18 anos de trabalho paciente e persistente, quase 300 camaradas se reuniram para a edição de 2025 da Escola Marxista de Nova York — e isto é só o começo.O mundo parece muito diferente hoje, após a crise de 2008, o movimento Occupy Wall Street, a ascensão de Trump e Bernie Sanders, os protestos de George Floyd, a pandemia e uma série de outros terremotos políticos. As crises do sistema capitalista são características inerentes, não erros, e estão gerando trabalhadores e jovens que buscam ideias comunistas no ventre da besta.As contradições internas do capitalismo inevitavelmente produzem levantes revolucionários, mas a vitória da classe trabalhadora depende da presença de um partido de quadros bolcheviques preparados com antecedência. Nenhuma vitória nos será dada de bandeja. Como escreveram Marx e Engels: “A história nada faz, não possui riquezas imensas, não trava batalhas. É o homem, o homem real, o homem vivo, que faz tudo isso, que possui e luta” por um mundo melhor.É exatamente isso o que a RCA está construindo.