Comunistas revolucionários japoneses e taiwaneses dizem: abaixo as provocações militaristas de Takaichi! Pela unidade internacional da classe trabalhadora! Share TweetA recém-empossada primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, provocou uma tempestade diplomática entre o Japão e a China, elevando rapidamente as tensões em toda a região.[Publicamos aqui uma declaração conjunta assinada por membros da Iniciativa de Cooperação Regional (ICR) do Japão e de Taiwan. Esta declaração também pode ser lida em chinês.]Durante uma sessão parlamentar em 7 de novembro, Takaichi declarou que uma ameaça militar contra Taiwan constituiria uma “situação de risco de sobrevivência” para o Japão. Na prática, Takaichi está prometendo uma intervenção direta do Japão caso um conflito ecloda entre a China e Taiwan.Isso provocou um protesto furioso da China, que considera Taiwan parte de seu território.Poucos dias depois, em 13 de novembro, foi informado que o governo japonês pretendia retomar as patentes dos oficiais das Forças de Autodefesa do Japão (JSDF) para reviver os nomes usados pelo antigo Exército Imperial Japonês. O anúncio foi feito sob o pretexto de "cumprir os padrões internacionais" e "elevar o moral". No entanto, essas são desculpas esfarrapadas para incitar o chauvinismo nacional interno, o que inevitavelmente envolve afrontar países devastados pela brutal expansão do Japão Imperial durante a Segunda Guerra Mundial, sobretudo a China.Mais grave ainda, em 23 de novembro, o Ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, visitou Yonaguni, uma base militar insular a apenas 110 quilômetros de Taiwan, e reafirmou o plano do Japão de implantar mísseis na base.Em resposta, a China anunciou duas rodadas de exercícios militares com munição real no Mar Amarelo, além de suspender diversas reuniões diplomáticas planejadas com o Japão, bloquear as importações japonesas de frutos do mar e emitir alertas contra viagens de cidadãos chineses ao Japão.Poucas semanas após Takaichi assumir o cargo de primeiro-ministro, os dois países mais poderosos da Ásia se envolveram em uma das mais sérias demonstrações de força das últimas décadas.Takaichi está brincando com fogoA raiz dessa escalada repentina reside na tentativa desesperada do Partido Liberal Democrático – partido governante do Japão nas últimas sete décadas – de reverter seu rápido declínio de popularidade, abraçando o militarismo como nunca antes.Nos últimos anos, o capitalismo japonês passou das “décadas perdidas” de estagnação a um declínio evidente. Seu PIB caiu do terceiro para o quinto maior do mundo em apenas dois anos. A relação dívida pública/PIB permanece a mais alta do mundo, em 230%. A produtividade do trabalho japonês agora está entre as mais baixas dos países da OCDE.Os trabalhadores estão sendo implacavelmente pressionados pela classe dominante. Os salários reais permanecem praticamente os mesmos de 2000, enquanto as empresas dependem cada vez mais de trabalhadores temporários ou precarizados, que agora representam mais de 40% da força de trabalho do país.Entretanto, em 2022, o Japão começou a sofrer com uma inflação grave, levando a uma dramática crise no custo de vida. O aumento dos preços dos alimentos, em particular, não mostra sinais de arrefecimento.Essa decadência senil do capitalismo japonês foi presidida por décadas pelo PLD de Takaichi. Em especial, o ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, a quem Takaichi considera seu mentor, aumentou drasticamente a dívida pública para estimular a economia, o que enriqueceu enormemente as maiores corporações e os ricos, enquanto as condições da classe trabalhadora estagnaram.Abe foi sucedido por uma série de primeiros-ministros do PLD, todos os quais renunciaram em desgraça devido a vários escândalos. Isso era praticamente inevitável. O PLD tem sido, há muito tempo, a principal ferramenta da classe dominante japonesa para governar sua população. Está atrelado por mil fios aos interesses do establishment capitalista e a toda a sua decadência e corrupção.Enquanto isso, a raiva popular no Japão está sendo canalizada para o crescente partido populista de direita Sanseito, que combina sentimentos reacionários anti-estrangeiros e anti-chineses com nostalgia da era imperial. Entretanto, seu programa econômico aparenta, superficialmente, atender às queixas das massas, em detrimento dos ricos e poderosos.Foi no contexto da crescente popularidade do Sanseito que Sanae Takaichi se tornou primeira-ministra no final de outubro, à frente de um governo minoritário que poderia ruir a qualquer momento. Portanto, não é difícil perceber que seu súbito confronto com a China é simplesmente uma manobra para consolidar o apoio interno, imitando os elementos mais reacionários da plataforma do Sanseito.Em prol de interesses eleitorais imediatistas, Takaichi está brincando com fogo. Mas seus jogos ameaçam mergulhar as massas da China, do Japão, de Taiwan e de toda a Ásia em guerra.O destino de Taiwan nas mãos dos imperialistasAs massas taiwanesas estão sendo tratadas mais uma vez como peões nas maquinações de potências estrangeiras. Embora a grande maioria do povo taiwanês se oponha à anexação pela China, mais de 50% também preferem manter o status quo em vez de declarar a independência de fato, o que poderia provocar uma resposta militar chinesa. Será que a Sra. Takaichi consultou a população taiwanesa sobre isso antes de usar o destino do povo como pretexto para uma demonstração de força contra a China?Ainda assim, políticos do Partido Democrático Progressista (DPP), partido governante de Taiwan, têm se mostrado ansiosos para aderir ao militarismo japonês em nome de todo o povo taiwanês, apesar do declínio constante de seu apoio após 12 anos no poder. O presidente William Lai Ching-te filmou a si mesmo comendo uma caixa de sushi como demonstração de apoio, enquanto o Ministério das Relações Exteriores incentivou o público a beber cerveja japonesa no fim de semana. A legisladora do DPP, Chiu Yi-ying, chegou a sugerir que o governo concedesse um auxílio de NT$ 10.000 a todos os cidadãos para que pudessem passar férias no Japão.Por trás dessas manobras, está o fato de que o DPP – e a ala pró-EUA da burguesia taiwanesa que o apoia – também vem perdendo apoio como principal representante do capitalismo taiwanês nos últimos anos.Internamente, o partido tem perpetrado os mesmos ataques contra a classe trabalhadora que seu antecessor pró-China, o Kuomintang (KMT), enquanto se vale da histeria bélica para encobrir a crescente crise social em Taiwan. Apresenta a dependência dos Estados Unidos como a única maneira de "defender a democracia taiwanesa" do autoritarismo chinês.No entanto, Donald Trump, já apático em relação à defesa de Taiwan, demonstra ainda menos interesse em confrontar a China sobre essa questão, após ter perdido duas rodadas de guerras comerciais contra o país. De fato, Trump telefonou para Takaichi e pediu que ela recuasse após uma conversa telefônica com Xi Jinping.Mas o imperialismo estadunidense está longe de ser um mero espectador passivo da recente escalada da tensão militarista no Leste Asiático e dos esforços para conter a ascensão da China. O governo Biden, com o apoio do Japão e da Coreia do Sul, intensificou significativamente as tensões com a China em relação a Taiwan. O governo Trump também pressionou os governos do Japão e de Taiwan a aumentarem seus gastos militares.Fundamentalmente, após a Segunda Guerra Mundial, a presença do imperialismo estadunidense na Ásia moldou toda a situação no continente, o que constitui a raiz do conflito atual.Os trabalhadores de nenhum dos países envolvidos se beneficiarão deste conflito entre suas classes dominantes. A classe trabalhadora japonesa não pode apoiar as últimas provocações de Takaichi nem seus apelos à nostalgia imperial. O Japão imperial oprimiu os trabalhadores em seu próprio país e massacrou as massas no exterior. Foi a resistência heroica dos chineses, taiwaneses e de outros povos – juntamente com as poderosas lutas das massas japonesas após a Segunda Guerra Mundial – que conteve esse militarismo. Takaichi agora tenta ressuscitar esse legado imperial.Os trabalhadores taiwaneses também devem refutar a tentativa de nossa classe dominante dependente e servil de vincular o destino de todo o país às manobras e maquinações de imperialistas estrangeiros, sobretudo dos EUA e de seu parceiro na Ásia, o Japão. Como um pequeno país em um mundo capitalista, o único destino possível para Taiwan é ser dominado por uma grande potência ou outra. Somente através de uma luta revolucionária internacional as massas taiwanesas poderão garantir uma chance de determinar seu próprio destino.Em última análise, o capitalismo como sistema mundial, especialmente em seu declínio terminal, só promete mais miséria, conflito e instabilidade. Os patrões e seus governos têm dinheiro de sobra para aumentar os gastos militares, enquanto as massas sofrem com a piora das condições de vida. A verdadeira "situação de ameaça à sobrevivência" para qualquer trabalhador não é simplesmente o conflito entre nações, mas o próprio capitalismo. Os trabalhadores de todos os países, quando unidos em solidariedade de classe, são o único poder capaz de pôr fim a esse caos. Abaixo a retórica belicista imperialista! Abaixo o militarismo! Imperialismo norteamericano fora da Ásia! Fim de todas as guerras por meio da luta de classes! Por uma revolução socialista em toda a Ásia! Por uma federação socialista do Leste Asiático como parte de uma Federação Socialista Mundial! Assinam,Militantes japoneses da ICRA Faísca – Comunismo Revolucionário Taiwanês (RCI Taiwan)